A Fisioterapia na evolução do tratamento da Síndrome de Down

A Fisioterapia na evolução do tratamento da Síndrome de Down

No dia 21 de março foi celebrado o Dia Mundial da Síndrome de Down. Hoje, vemos que as pessoas que possuem essa condição estão nas novelas, conquistaram postos de trabalho e um espaço maior na sociedade. Foi-se o tempo em que eles não eram considerados capazes de fazer as tarefas do cotidiano. É o que conta a Fisioterapeuta Dra. Ermê Pinto, entrevistada pelo CREFITO para falar sobre como a Fisioterapia auxilia no desenvolvimento dos portadores da síndrome.

1 – Como a Fisioterapia pode ajudar no tratamento da Síndrome de Down?

A Fisioterapia é indicada para a Síndrome de Down logo após o nascimento da criança, quando iniciaremos a estimulação precoce utilizando, por exemplo, o Baby Bobath, que procura inibir a adoção de posturas anormais e promover posturas e movimentos corretos, estimulando o Desenvolvimento Neuro Psicomotor (DNPM).

2 – Quais são os benefícios que a Fisioterapia traz para a pessoa com Síndrome de Down?

Vamos considerar o atendimento desde o nascimento do bebê. Por meio de técnicas de estimulação motora e sensorial, daremos condições para o desenvolvimento normal, quando a idade cronológica (IC) deverá estar o mais próximo da idade motora (IM).

A criança passará por todas as fases como: rolar, arrastar, engatinhar, ficar de pé e andar, obedecer a ordens, ir para a escola, nadar, dentro, é claro, do tempo dela.

Com o crescimento da criança serão ofertadas outras possibilidades, contribuindo assim para o seu desenvolvimento pessoal e social.

3 – A Fisioterapia é mais indicada para crianças do que adultos com Síndrome de Down? Ou não existe diferença?

Tudo vai depender da idade que a pessoa chegará à Fisioterapia. Precisaremos fazer a anamnese com o responsável, caso seja criança, e o dado mais importante é a essa relação da idade cronológica x idade motora. Sabendo isso, poderemos traçar o tratamento, que estará focado nas falhas da evolução neuropsicomotora, nos achados da avaliação, nas queixas da família ou do próprio paciente.

4 – Com o tratamento adequado, quais habilidades a pessoa com Síndrome de Down pode obter?

Todos nós temos potencial, certo? O Down é igual. Dentro do seu tempo e seus limites. Estou enfocando muito isso, pois no passado era complicado.

Hoje, eles estão na mídia, conseguem emprego, existem até associações e, se me permite um apontamento, não são considerados mais “mongolóides”.

6 – Como a família pode ajudar no tratamento?

Quando construímos um vínculo com a família tudo parece ficar mais fácil, mas ainda precisamos de muita coisa que não depende só da família, e sim de toda a rede de atenção à saúde.

7 – Como é a sua experiência com a Síndrome de Down? Trabalha há quanto tempo nesse ramo?

Trabalho com criança desde a época da faculdade. Completei, em dezembro de 2017, 40 anos de formada. Voltada mais para a área da Neurologia infantil e um pé, assim dizendo, na Neurologia Adulta. O mundo da criança, principalmente, é um mundo à parte, diria mágico. Foram muitas experiências compartilhadas com elas e suas famílias.

9 – Que mensagem deixaria para as pessoas diante de toda a sua experiência com pessoas com Síndrome de Down?

Pegarei emprestadas as palavras da Neuroreabilitar, página que sigo no Facebook. É uma afirmação que sempre compartilho com meus alunos em relação aos nossos pacientes: DIAGNÓSTICO NÃO É DESTINO.

 

Minicurrículo:

Ermê Pinto é docente do curso de Fisioterapia da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam) e supervisora do setor de Neurologia Infantil da faculdade. Com 40 anos de formação, é especialista em Neurofuncional e Saúde da Família. É graduada em Fisioterapia pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP).

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