Dr. Henrique Coutinho, fisioterapeuta, destaca papel da fisioterapia na prevenção de lesões nos esportes de alto rendimento

O fisioterapeuta Henrique Coutinho é um dos profissionais capixabas que já atuou junto a atletas de alto rendimento e, em entrevista ao site do CREFITO 15, nos contou como é a importância da fisioterapia para a prevenção ou rápida recuperação em casos de lesões. Membro da Associação Capixaba de Empresários de Fisioterapia (ACEF), ele destaca ainda como a instituição vem trabalhando para fortalecer o setor, em parceria com o Conselho. Leia a entrevista completa abaixo:

Tivemos recentemente os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Qual a importância da fisioterapia na vida do atleta de alto rendimento?
A busca constante por transpor seus limites exige do atleta de alto rendimento um esforço enorme e comprometimento consigo. Treinos técnicos e físicos maçantes já seriam o bastante para testar a capacidade de seu corpo, mas muitos ainda precisam conciliar tudo isso com os estudos, trabalho e família.

Essa rotina hercúlea o expõe constantemente a fatores de risco funcionais, intra e extra esportivos, o que torna imprescindível o acompanhamento por um fisioterapeuta para identificar tais fatores, buscar minimizar ao máximo seus efeitos e recuperá-lo o mais rápido e da melhor forma possível quando a lesão/disfunção acontecer.

A fisioterapia ajuda também a prevenir futuras lesões?
Se considerarmos que atletas que se submetem a uma rotina de exercícios preventivos apresentam menor incidência de lesões quando comparados com os que não realizam, sim, em minha opinião podemos inferir que a fisioterapia ajuda a prevenir lesões. Porém, quem lida com atletas sabe que desconforto/dor e lesão/disfunção fazem parte de sua vida, então talvez mais do que impedir que surjam, o papel do fisioterapeuta seja o de auxiliar em sua preparação para reduzir a incidência e quando as lesões e/ou disfunções aconteçam sejam de menor gravidade ou intensidade, retornando às atividades o mais breve possível.

Você prestou atendimento a um time de rugby do Estado. Como funcionou esse atendimento?
Tive o prazer de integrar a equipe de fisioterapeutas da Associação Vitória Rugby no biênio 2013/2014. Foi uma experiência única, pois compomos a comissão técnica do clube e junto ao técnico e preparadores físicos pudemos participar do planejamento do calendário de treinos e competitivo da equipe nas temporadas e com isso, mediante ao levantamento dos fatores de risco funcionais das práticas, das lesões/disfunções mais frequentes e entendimento da mecânica gestual própria do esporte, atuamos desde a inserção de exercícios com finalidade preventiva nos treinos, da elaboração de uma rotina de aquecimento para treinos e jogos, passando pelo atendimento imediato inclusive no decorrer da partida até o acompanhamento e reabilitação de lesões/disfunções. Sou muito grato ao Vitória Rugby Club pela confiança e liberdade de atuação que nos proporcionou enorme aprendizado e ao colega Leonel Delvizio por compartilhar comigo essa vivência.

Esportes coletivos como o rugby, futebol, entre outros, em que o impacto é inevitável, têm algum treinamento fisioterapêutico diferenciado? Se sim, qual?
Acredito que a melhor ferramenta que o fisioterapeuta tem nesses casos é o raciocínio biomecânico, pois conhecendo as atividades desenvolvidas, o gestual esportivo de cada modalidade e a forma como o impacto pode comprometer o corpo é possível avaliar em cada atleta, individualmente, o que precisa ser aprimorado para minimizar os efeitos das colisões.

O método ou técnica a ser utilizado em cada caso vai depender do objetivo a ser alcançado. O importante é a escolha com critério a partir do avaliado e, depois de aplicado, reavaliar o resultado para manutenção, evolução ou alteração da conduta.

Seus colegas de trabalho dizem que você possui uma proposta de atendimento diferenciada, com um raciocínio clínico mais completo sobre o paciente. Na prática, como funciona esta visão mais global?

Fico muito feliz em receber esse feedback porque reconhecimento é muito bom, sobretudo quando vem de colegas de profissão.

Sempre que atendo uma pessoa mantenho em mente fazer por ela o que gostaria que fizessem por mim dentro de minhas capacidades, enxergar cada ser humano como único, não somente enquanto corpo/estrutura, mas com formas próprias de realizar suas atividades, de se relacionar, de compreender o mundo, então é muito importante ouvir e buscar ver além da queixa que hora se apresenta.

Além desta parte esportista, já vimos entrevista sua comentando sobre posturas corretas no trabalho, no nosso dia a dia. Acha que falta mais consciência da população sobre atos simples que poderiam evitar grandes dores futuras?

Faço apenas uma ressalva em relação a posturas “corretas” por não gostar muito dessa expressão. Prefiro usar o termo ideal, pois como cada indivíduo tem uma realidade com corpo e condições próprias, costumo dizer que o que existe é uma postura ideal para aquela pessoa realizar cada atividade.

A informação bem embasada tem a capacidade de libertar as pessoas pelo empodeiramento. O conhecimento dá às pessoas a possibilidade de mudar suas vidas, pra pior ou pra melhor, por isso é importante que o profissional ao comunicar-se com intuito de educar a respeito de boas práticas tenha responsabilidade ao afirmar ou negar um fato, pois sabemos que muito além dos fatores físicos, as questões culturais e crenças têm grande influência na dor. Portanto, é de suma importância informar a população, mas informar bem.

Você também atua na Associação Capixaba de Empresários de Fisioterapia. Como é este trabalho e o que a associação vem fazendo para fortalecer as clínicas de fisioterapia do Espírito Santo?

Sim, hoje estou secretário da Associação Capixaba de Empresários de Fisioterapia – ACEF, que reúne empreendedores da fisioterapia de todo o estado com objetivo de aprimorar nossas práticas empresarias, fortalecer o setor e os serviços oferecidos em benefício dos usuários.

Por meio de acordos estabelecidas com instituições como o SEBRAE buscamos capacitar empresários e funcionários nas habilidades necessárias para melhorar a gestão de clínicas e consultórios. Junto ao Crefito 15, que é nosso parceiro desde o início, debatemos sobre questões técnicas e legislativas da fisioterapia para que tenhamos no Espírito Santo o exercício profissional de excelência e com isso o reconhecimento da sociedade capixaba.

Por fim, mas não menos importante, somos afiliados à Federação Nacional de Associações de Serviços de Fisioterapia – FENAFISIO, e atuando ativamente e seguindo suas deliberações, cujo foco principal hoje é buscar equilibrar a relação das empresas de fisioterapia com as Operadoras de Planos de Saúde – OPS, lutando pela adoção do Referencial Nacional de Procedimentos de Fisioterapia – RNPF, pela inclusão deste em sua totalidade na Terminologia Unificada em Saúde Suplementar – TUSS, entre outras conquistas, buscando reestabelecer a dignidade na remuneração dos serviços prestados em saúde suplementar.

Na oportunidade gostaria de convidar aos colegas proprietários de clínicas e consultórios a filiarem-se à ACEF e contribuir para valorização de nossa categoria. Com certeza somos muito mais fortes juntos!

Desde o desmembramento do CREFITO 2, o CREFITO 15 vem buscando a integração de todos os profissionais para solidificar o Conselho capixaba, além de ampliar a fiscalização, a orientação aos profissionais, desenvolver parcerias em busca de melhorias e um atendimento de mais qualidade à sociedade. Como você vê a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional capixaba hoje?

Com certeza demos um salto organizacional para a fisioterapia e terapia ocupacional.  O Conselho Regional é a instituição que tem maior alcance aos profissionais em razão da sua função de garantir as condições legais para o exercício profissional, e agora, após seu estabelecimento definitivo, o CREFITO 15 prestará um papel importantíssimo no auxílio da fundação e/ou sustentação de outras instituições fundamentais para as categorias, como sindicatos e associações patronais e de servidores, associações de especialidades, de acadêmicos e docentes, entre outras. Mas para isso se concretizar é necessário que cada profissional faça sua parte e convido os colegas a compor essas instituições e trabalhar para a coletividade, é extremamente gratificante.

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