“O fisioterapeuta é o único profissional que tem o olhar clínico para prescrever exercícios com o objetivo da manutenção da saúde para a população de baixa tolerância”

Antes de iniciar o mini-curso “Prescrição de exercícios clínicos. O que realmente é funcional no Treinamento Funcional? Uma abordagem mecânica sobre o Treinamento Funcional”, oferecido pelo CREFITO 15 neste sábado (05/08) no Hotel Sheraton, em Vitória, a Dra. Mariane Malucelli concedeu uma entrevista para o site do Conselho. Durante a conversa,ela ressaltou o grande espaço no mercado para a atuação do fisioterapeuta, que precisa se valorizar mais. Ela também destacou que o treinamento funcional precisa ser sustentável.
Dra. Mariane Malucelli é fisioterapeuta da OrthoCarolina (Charlotte – EUA), residente no Programa “Residency in Orthopaedics”/ OC (Charlotte – EUA); doutoranda em Post Professional Doctor in Physical Therapy (EUA); diretora dos Programas Resistance Training Specialist (RTS) no Brasil; Resistance Training Specialist Master – RTSm; e foi chefe do Departamento de Fisioterapia do Novant Orthoapedic Hospital.Confira abaixo o bate-papo com o CREFITO 15:

1) Dra. Mariane, o que difere o treinamento funcional do fisioterapeuta e o do educador físico?

O treinamento funcional do educador físico não deve ser a mesma coisa do que o do fisioterapeuta porque o escopo do trabalho é diferente. O que muda é que a fisioterapia atua voltada para a saúde, não para a estética ou performance. E quando a prescrição física é voltada para a saúde, tem que ser sustentável, ou seja, o praticante deve ser capaz de praticar a vida toda. Dependendo da intensidade e força, se aplicados por 10, 20, 30, 40 anos, podem gerar danos articulares. O fisioterapeuta não pode prescrever exercícios onde o risco super a o benefício.

2) E como é o mercado para o fisioterapeuta dentro do treinamento funcional?

Em relação ao mercado, apenas 10% da população é fitness. Ou seja, 90% da população não tolera a forma como o educador físico atua, não gosta de suar, de se cansar, de sentir dor. Sendo assim, o fisioterapeuta tem a possibilidade de entrar neste mercado, mas somente se não fizer o que o educador físico faz. Tem que ser algo inovador, e não copiar. Isso é um comportamento mundial, não específico do Brasil ou Estados Unidos.

3) Mas como se valorizar se as pessoas pagam por um personal trainer, mas acham caro fazer fisioterapia?

O profissional não consegue entender o que ele tem em mãos. Ele precisa se posicionar no mercado se dando mais valor.

4) Mas muita gente deixa de pagar um pilates, que faz super bem à saúde, por achar caro…

O fisioterapeuta precisa entender que a eficiência do exercício faz o paciente alcançar resultados com menos tempo, menos horas. Ou seja, é possível alcançar resultados com 30 minutos, uma vez por semana, mais do que em 2 horas, durante mais dias na semana. O paciente vai precisar de menos sessões e sairá mais barato. Existe um mercado amplo formado por aqueles que não estão praticando exercícios. O fisioterapeuta é o único profissional que tem o olhar clínico para prescrever exercícios com o objetivo da manutenção da saúde para a população de baixa tolerância. Isso representa 90% da população. É preciso entender o momento, liderar a situação e não pegar o rastro do educador físico.

5) Este mercado que não gosta de academia, mas tem problemas de coluna, articulações, é um público para a fisioterapia…

A fisioterapia tem todas as ferramentas para serem aplicadas de acordo com a necessidade de cada paciente. Como fisioterapeutas, durante toda a nossa história sempre melhoramos a função. Isso é até redundância. Temos que nos apropriar disso, desse benefício que já entregamos há muitos anos.

6) E qual a recomendação para o treinamento funcional do fisioterapeuta?

O “treinamento funcional” que melhora a “função” prescrito pelos fisioterapeutas precisa conter todo o contínuo do exercício, que inicia na isometria, passa pela musculação e pilates, termina em exercícios multiarticulares, e termina com desafios, como a instabilidade. Mas, somente depois de termos certeza de que a articulação e o sistema muscular em torno dela (todas as articulações) estão íntegros e “funcionando” perfeitamente.

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