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A Terapia Ocupacional no contexto hospitalar

Uma das especialidades da Terapia Ocupacional é sua atuação no contexto hospitalar. Para falar um pouco sobre esse campo de trabalho, pedimos à terapeuta ocupacional, Dra. Synara Sampaio Novais, que integra a equipe do Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) desde 2014, uma exposição sobre essa especialidade da profissão.

Dra. Synara é formada pela Faesa (2006) e pós-graduada em Saúde Mental  pela Faculdade Estácio de Sá (2008). Trabalhou na área de saúde mental no Hospital Estadual de Atenção Clínica (HEAC),  na unidade de internação (Curta Permanência), CAPS e pronto-socorro de 2013 a 2014. Também trabalhou na Secretaria Municipal de Assistência Social, Proteção Social Especial de Vila Velha com adultos e crianças, onde também coordenou um abrigo infantil de 2014 a 2015. Recentemente, Dra. Synara passou a integrar o CREFITO 15 como conselheira suplente. Segue abaixo seu artigo.

Breve Histórico:

“A Terapia Ocupacional surgiu no contexto hospitalar. No início de sua história, a profissão tinha como objetivo a restauração da capacidade funcional através da técnica de treinamento de hábitos, como relata Bartalotti e De Carlo (2001). O hospital nesse contexto possuía um caráter mais asilar, atendendo a uma clientela com enfermidades crônicas que encontravam na instituição um local de repouso durante o tortuoso processo de adoecimento e morte (MIRSHAWKA, 1994). Para Foucault (1980) o ponto culminante da mudança dessa realidade, foi quando a instituição passou a ser um espaço de exercício da Medicina, na intenção da cura e da pesquisa, mudança que ocorre no século XIX. Complementando o caráter dessas mudanças, Scarazatti (2008) apresenta outras perspectivas, dessa vez ligadas à economia e administração, que transformou o ambiente, outrora ocupado por paciente de longa estadia, em um local onde se prezava agilidade, rotatividade e lucro. Todas essas mudanças permitiram a edificação da instituição hospitalar atual. Uma instituição destinada ao diagnóstico e tratamentos de doentes, com planejamento e construção moderna, orientação técnica organizada e administrada, com finalidade de prevenir doenças e promover a saúde (ALMEIDA, 1983). Nesse contexto, a inserção de novos profissionais em um local antes habitado apenas por médicos e enfermeiros se tornou uma realidade (MARINHO; CABALHO, 2001). De acordo com Cecílio e Merhy (2003), esse ambiente tornou-se multidisciplinar.

No que se refere à inserção do terapeuta ocupacional neste contexto, De Carlo e Luzo (2004) sinalizam que para acompanhar as modernas tendências da instituição hospitalar, o profissional precisou repensar sua prática, tornando-a mais concisa e pertinente para o campo de ação em questão. O que antes era uma prática voltada à intervenção junto ao paciente crônico, no decorrer dos tempos foi direcionada seguindo uma tendência internacional, como relata De Carlo et al. (2006). Essa tendência privilegiava uma reorganização dos cuidados em saúde, favorecendo períodos de internação mais curtos, resultando dessa maneira em atendimentos voltados a pacientes agudos. O que pode ser justificado pela atual definição da função do terapeuta ocupacional (TO) no contexto hospitalar. O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO, 2007) define a função do terapeuta ocupacional como um profissional capaz de realizar: Procedimento de avaliação, intervenção e orientação, realizado com o cliente internado e/ ou familiar e cuidador, em pronto atendimento, enfermaria, berçário, CTI, UTI (neonatal, pediátrica e de adulto), unidade coronariana, isolamento, brinquedoteca hospitalar, unidade materno-infantil, internação domiciliar e unidade de desintoxicação, para intervenção o mais precoce possível, a fim de prevenir deformidades, disfunções e agravos físicos e/ou psicoafetivo-sociais, promovendo o desempenho funcional/ocupacional e qualidade de vida durante a hospitalização […] (COFFITO, 2007).

A Terapia Ocupacional no Contexto Hospitalar

Vestir uma camisa, fazer uma caminhada, pentear o cabelo são tarefas fáceis quando não possuímos algo que nos limite a executá-las; entretanto para uma pessoa que se recupera de um trauma. É nessa hora que o profissional da terapia ocupacional exerce um papel fundamental: retornar função, orientando e treinando o paciente para a execução das atividades do cotidiano, lazer e trabalho, quais ele se encontra restrito e/ou limitado;

A terapia ocupacional de um modo geral, envolve a realização de exercícios e atividades para manutenção e execução das atividades básicas de vida diária, ganho de amplitude de movimento e força, orientação para reeducação sensorial, promoção e treino de motricidade, orientação postural e de ergonomia, adaptações, confecção de órteses, dentre outros.

Dentro do hospital que trabalho, a minha atuação abrange as enfermarias e UTIs, além de atendimento ambulatorial para acompanhamento do paciente no pós alta.

Nota-se que com o passar do tempo a Terapia Ocupacional tem se inserido no contexto hospitalar como parte fundamental de uma equipe, com resultados eficientes e expressivos, contudo ainda são poucos os hospitais que contam com esse profissional. Talvez isso ainda se dê por pouco conhecimento, por falta de produção científica e até mesmo de fiscalização.

A TO no hospital está diretamente ligada a humanização. Não somente de eventos ou ambiência, mas a humanização beira leito, onde o paciente deixa de ser um número ou simplesmente um diagnóstico e passa a ser visto como o João ou a Maria, atuantes dentro do processo de reabilitação.

A vida é um grande conjunto de ações e fazeres, entretanto, a doença e a internação trazem rupturas: a hospitalização causa medo, ansiedade, quebra do cotidiano e suas atividades; dor e outros sintomas podem aparecer, limitações estão presentes. E ai quando se soma todas essas questões psicossociais ao processo da doença/hospitalização pode-se ter várias formas de comprometimento; cognitivo, sensorial, neuromotor, o que vai limitar o desempenho do indivíduo e assim proporcionar uma vasta abordagem da terapia ocupacional.

O tratamento pode iniciar em qualquer momento do período de hospitalização, e em qualquer caso a intervenção deve estar sempre de acordo com as necessidades e interesses dos pacientes, indo além de suas condições clinicas.

É muito importante que o TO conheça o perfil do hospital, de seus pacientes, uma boa avaliação vai nortear a sua atuação.

Vale ressaltar que a atuação do terapeuta ocupacional vai além do paciente, mas intervém também com as famílias e/ou cuidadores, além de estabelecer uma relação entre a equipe-paciente-família.

A terapia ocupacional avalia a funcionalidade e tudo que possa impactar no desempenho funcional do paciente. A ideia é estimular os pacientes de maneira mais precoce possível a participar ativamente de seu tratamento, considerando suas condições e sobretudo orientando o paciente, seus cuidadores, familiares e a própria equipe, já preparando para a alta e em caso de necessidade fazendo a contra referência para a rede.

A atuação do terapeuta ocupacional no contexto hospitalar pode também estar inserida em comissões institucionais visando sempre a excelência no atendimento.

O sucesso na recuperação é grande. A melhora de cada paciente é uma verdadeira conquista da equipe, seja, do médico, do terapeuta, mas principalmente do paciente, que precisa cooperar, superando seus próprios limites para alcançar o melhor resultado.

EXEMPLOS DE HOSPITAIS QUE POSSUEM TO NA GRANDE VITÓRIA

  • HEJSN – HOSPITAL ESTADUAL JAYME DOS SANTOS NEVES (PRIMEIRO HOSPITAL A CONTAR COM TO NA REABILITAÇÃO DE MÃO)

  • HEUE – HOSPITAL ESTADUAL DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA

  • HEAC – HOSPITAL ESTADUAL DE ATENÇÃO CLÍNICA

  • HEVV – HOSPITAL ESTADUAL DE VILA VELHA (ANTIGOS FERROVIÁRIOS)

  • HUCAM – HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CASSIANO ANTONIO MORAES”

 
A resolução do COFFITO que trata da Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares é a nº 429, de 08 de julho de 2013. A norma completa está disponível no link http://coffito.gov.br/nsite/?p=3191.

 

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