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Mês de Conscientização do Autismo: Terapia Ocupacional ajuda a dar autonomia ao paciente autista

O Abril Azul, mês voltado para debater sobre o Autismo, é celebrado no dia dois do mês, e trata-se de uma campanha bem conhecida e estabelecida no mundo todo. Para tratar do assunto e falar um pouco sobre a atuação do terapeuta ocupacional no tratamento do autismo, conversamos com Vinicius Mota, bacharel em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e profissional vinculado à Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (AMAES) e à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Segundo ele, diagnosticar o autismo não é tarefa fácil, uma vez que cada criança é singular e não necessariamente apresenta os mesmos sintomas que outra. De acordo com dados levantados pela Universidade de São Paulo (USP), estima-se que no Brasil haja cerca de 2 milhões de autistas.

 

1) O que é o autismo?

Atualmente denominado como Transtorno do Espectro Autista (TEA), trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por prejuízos persistentes na comunicação social, na interação social, além da presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.

 

2) Como é possível identificar que uma pessoa é autista? Quais os sinais que devemos prestar atenção?

Desde o início do desenvolvimento, já nos primeiros meses, é possível observar alguns sinais. São eles: dificuldade de contato visual e físico, isolamento social, compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afetos, ausência ou atraso na linguagem, déficits na compreensão e uso de gestos e expressões faciais, imitação reduzida, uso repetitivo e não funcional de objetos, fixação por rotinas e resistência às mudanças, estereotipias motoras, respostas exageradas aos estímulos sensoriais do ambiente. Para o processo diagnóstico é fundamental a implicação de uma equipe multiprofissional (fonoaudiólogo, neuropediatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta), que farão observações clínicas e aplicação de testes avaliativos, podendo também solicitar exames (neurológicos, metabólicos, genéticos) que complementam esse processo.

 

3) Qual o papel da Terapia Ocupacional no tratamento de pessoas com autismo?

A intervenção terapêutica ocupacional objetiva minimizar os efeitos delimitadores no comportamento, aprendizagem e desenvolvimento do sujeito com TEA, promovendo a ele o maior nível de autonomia, independência e engajamento em suas ocupações, ou seja, nas atividades de autocuidado (alimentação, vestuário, higiene pessoal), nas atividades de lazer, na escola e no brincar, o que implica na sua participação social e na sua qualidade de vida, bem como de seus familiares.

 

4) A Resolução 483, de 2017, reconhece a utilização da abordagem de integração sensorial como recurso da Terapia Ocupacional. Que tipo de atividades são desenvolvidas junto a crianças autistas?

O terapeuta ocupacional é o profissional capacitado para atender em consultório de integração sensorial, nos casos de crianças com déficits no processamento sensorial, apresentando reações aversivas a estímulos ou busca intensa por eles. É também responsável pelo treinamento das atividades de vida diária (alimentar-se, vestir-se, uso do banheiro e higiene pessoal), de forma a propor as adaptações necessárias de acordo com seu perfil sensorial e as habilidades que possui.

Além disso, em domicílio ou em contexto clínico, desenvolve atividades lúdicas, baseadas no interesse da criança, que estimulem o desenvolvimento de:

– Habilidades cognitivas: atenção, percepção, planejamento, memória, linguagem, noção espacial, resolução de problemas;

– Habilidades motoras grossas: rolar, engatinhar, sentar, ajoelhar, andar, correr, saltar, subir, descer, puxar, empurrar, arremessar;

– Habilidades motoras finas: segurar, soltar, abrir, fechar, encaixar, montar/desmontar, empilhar, abotoar/desabotoar, pintar, recortar, escrever.

 

5) Quais os benefícios da Terapia Ocupacional para pessoas com autismo?

A Terapia Ocupacional atua na melhora da resposta adaptativa aos ambientes, na diminuição de comportamentos estereotipados e de autoagressão, aumento da concentração e capacidade de aprendizagem, independência nas atividades de vida diária e nas atividades instrumentais e auxilia no brincar funcional e diversificado.

6) Como envolver a família no tratamento das crianças autistas?

O envolvimento da família é fundamental para a evolução no tratamento. Por isso, ela precisa estar engajada, participar dos treinos e seguir as orientações para que a criança generalize as habilidades aprendidas no espaço terapêutico para os demais ambientes em que frequenta (casa, escola, comunidade).

7) Que dica você pode dar para o terapeuta ocupacional que deseja trabalhar com autismo?

O profissional deve estar ciente de que cada indivíduo demandará estratégias específicas, o que vai requerer disponibilidade e empenho. Por isso, é fundamental o conhecimento de abordagens distintas e capacitação, principalmente em duas áreas de conhecimento que vem sendo muito utilizadas no tratamento do TEA e tem mostrado bons resultados: Teoria da Integração Sensorial (IS) e Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

8) Qual o papel da AMAES?

A AMAES foi criada devido à insatisfação dos pais e amigos dos autistas com as políticas públicas e com o sistema de atendimento complementar disponibilizado. Portanto, sua missão é exercer a luta pela defesa e garantia dos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista e seus familiares, acolhendo, informando e prestando atendimento nas áreas de assistência social, educação e saúde, para incentivo à autonomia e dignidade desse público. Além disso, através dos eventos que realizam nas comunidades, visam a difusão de informações sobre o autismo para conscientização da sociedade.

9) Como conheceu e começou a atuar na AMAES?

Meu interesse e aproximação desse público surgiu a partir da minha atuação na APAE e aprofundou-se ao buscar especialização em pós graduação em prática e abordagens clínicas no TEA. Com isso, ao surgir uma oportunidade, fui indicado para iniciar uma parceria com a AMAES, a qual já conhecia devido aos eventos que promovia, como a Caminhada de Conscientização do Autismo, o Gol Azul e a Corrida Azul.

10) Como os interessados podem fazer para participarem da Associação?

As famílias que desejam atendimento para pessoa diagnosticada com autismo devem agendar com o serviço social um acolhimento social e inscrição.

O Grupo de Acolhimento, que ocorre quinzenalmente, oferece um espaço para troca de experiências e fortalecimento da AMAES, aberto para todas as famílias.

O profissional de qualquer área de atuação pode se tornar um voluntário, entrando em contato com a instituição pelo telefone (27) 3327-1836 ou pelo e-mail amaes@amaes.org.br.

Para ser associado efetivo ou parceiro contribuinte, basta solicitar o cadastro pessoalmente na sede da Amaes ou solicitar pelo e-mail. São aceitas também doações pontuais e contribuição com roupas novas e usadas para o bazar solidário.

 

Minicurrículo:

Vinícius Vieira Mota está cursando a Pós-Graduação em “Práticas e abordagens de atuação com o Transtorno do Espectro Autista” e é graduado em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Participou de cursos como “Integração Sensorial”, pelo ChildBehaviorInstituteof Miami e “Guia de Capacitação ABA”, pelo Instituto NeuroSaber.

 

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